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O corpo que não me pertence

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Quando a gente engravida o corpo deixa de ser um pouco nosso, ele vai ganhando uma nova forma, vai se arredondando e ficamos cheias de restrições alimentares, de movimento e mais o que aparecer. A cria nasce e corpo não é o mesmo, a barriga flácida e cheia de estrias que os litros de óleo de amêndoas não foram capazes de impedi-las de aparecer. Acabou por aí? Não claro que não, vem a amamentação. Amamentar é difícil, dói e demanda muita força de vontade no início pra coisa engrenar. Amamentei exclusivamente e em livre demanda por seis meses. Após a introdução alimentar continuei amamentando em livre demanda e hoje com 1 ano e quatro meses Morena ainda mama.
Foram muitas fases, muitos desafios e muiiiiitas noites acordando inúmeras vezes. Morena é uma criança que não sabe dormir. Tinham noites que ela acordava a cada 30 minutos e no dia seguinte eu tinha que encarar dez tempos de aula. Eu estava um caco e não suportava mais esse desgaste físico, saí pra trabalhar chorando, estava impaciente com a Morena e com o marido, depois de ficar com os mamilos em carne viva, sangrando e com pus, decidimos que não dava mais pra viver daquele jeito. Foi aí que começamos o desmame noturno.

Passei a segunda conversando com ela que o mamá dormiria assim que ela dormisse e ele não acordaria, que ela era uma menininha grande e que só mamaria quando amanhecesse. Começamos na segunda e as madrugadas de segunda-terça e terça-quarta foram complicadas. Morena acordou chorando, eu a pegava no colo e falava com muita calma e amor que a mamãe estava ali, mas que o mamá não. Cantei, ninei, chorei junto, abracei e aos poucos ela ia se acalmando. No restante da semana ela continuou acordando (bem menos do que acordava quando mamava a noite), mas sem choro. O desmame noturno já foi concluído e a principal mudança que veio junto foi uma significativa melhora nas horas seguidas dormidas. Tem noites que ela ainda acorda, uma ou duas vezes, nada comparado as 8/10 vezes numa mesma noite.

O desmame noturno foi um importante passo pra recuperar um pouco o "controle" do meu corpo. Ainda não me reconheço apesar de já pesar o mesmo de antes de engravidar, mas a verdade é que eu já não aceitava os quilos extras ganhos bem antes da gravidez da Morena. É uma fase de auto-conhecimento/aceitação difícil. Ainda tenho um longo caminho e reconhecer isso é o primeiro passo.


A delicadeza do puerpério

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"É chamado de puerpério o período que compreende a fase pós-parto, quando a mulher passa por alterações físicas e psíquicas até que retorne ao estado anterior à sua gravidez."

Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado 


Morena já tem mais de um ano de pura sapequice e só agora eu venho falar de puerpério? Sim, talvez porque logo após o nascimento da Morena eu tenha passado por momentos muito difíceis. Difíceis porque ter um recém nascido dependendo de você pra tudo, passar pelas transformações hormonais e psicológicas que uma criança traz não é bolinho não, mas o pior de tudo foi ter que conviver com a indelicadeza de pessoas próximas que não sabiam o seu devido lugar. A intenção podia ser a melhor, mas atrapalhou muito, muito mesmo!

Conversando com amigas que também viraram mães mais ou menos na mesma época que eu percebi que esse tipo de comportamento é mais comum do que se imagina (infelizmente) e por isso resolvi escrever, vai que um futuro, pai, sogro, avó, tio, tia, periquito e papagaio passa por aqui ler e resolve se preocupar com a futura mamãe.

A mãe vai precisar de todo o suporte, ajuda e carinho que for possível. No entanto essa ajuda não deve ser imposta, escute-a, espere ela pedir, principalmente se for em relação aos cuidados com o bebê. leve uma comida fresca e quentinha, se ofereça pra organizar a casa, fazer compras, mas por favor NUNCA tente concorrer com essa mãe em relação ao bebê. Você provavelmente vai magoá-la.

Comigo aconteceu que a cada visita eu ouvia uma gracinha, era um tal de "fica melhor no meu colo que no seu". "gosta mais de mim que de você" e por último a gota d'água foi um "cala a boca, não estou falando com você". Sim, eu ouvi isso dentro da minha casa com a minha filha com menos de um mês de vida. O resultado foi que eu me fechei e não consigo ter por essa pessoa o mesmo sentimento que tive. Claro que se não estivesse em um momento tão frágil tinha mandado a pessoa TNC (no mínimo), mas não consegui reagir e isso me faz mal até hoje.

Deem a devida importância a esse momento tão sútil que uma recém mãe passa. É muita coisa: amamentação, o novo corpo, os hormônios, o cansaço... tudo que ela precisa é de um abraço e ser ouvida.

Voltando ao batente

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Seis meses passaram voando e chegou a difícil hora de voltar ao trabalho. Morena já estava matriculada na creche desde outubro, não frequentava, mas já estava matriculada. Tá grávida? Vai colocar o filho na creche? Então começa a procurar, coisa difícil conseguir vaga. A adaptação estava marcada pra começar 15 dias antes da minha volta ao trabalho, na primeira semana eu ficava com ela, então o coração não sentia tanto, mas foi só voltar a trabalhar que o coração ficou pequeno.

Felizmente pude ficar seis meses lambendo a cria, a amamentei exclusivamente e em livre demanda por todo esse tempo e ficávamos grudadinhas o dia todo. Voltei a trabalhar não somente no trabalho antigo, consegui também mais uma escola pra dar aula. Ao mesmo tempo em que fico feliz por mais uma graninha entrar e me possibilitar entrar em um curso de inglês (essa é mais uma das minhas metas do ano). Fico também angustiada e me sentindo culpada por ficar mais esse tempo longe dela. A contradição mora aqui.

A verdade é que está muito difícil a volta ao trabalho, tá complicado estabelecer uma rotina. Professor sempre trás trabalho pra casa e eu preciso ter minhas aulas programadas senão eu fico perdida. Nem preciso dizer que minhas aulas ainda estão um caos, principalmente porque esse ano me deram uma série que nunca peguei e que odeio o conteúdo. Fico total sem tesão de entrar nessas turmas. Sei que eles não tem culpa de nada e que o ônus dessa tripla jornada tem que ser todo meu. Minha meta é que até o carnaval eu consiga estabelecer uma rotina e um cronograma de preparo de aulas pra conseguir conciliar tudo.

Se eu pudesse abrir mão dos meus empregos eu abriria e só voltaria a trabalhar quando ela completasse dois anos. Só que infelizmente não posso me dar esse tempo, então tô buscando ânimo e disposição pra dar conta de tudo. Tem dias que não rola, hoje por exemplo o humor tá bem azedo e o cansaço a mil.

#Morenapelomundo

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Antes mesmo dela nascer já tínhamos várias viagens programadas. Adoramos viajar e eu não queria de jeito nenhum deixar de fazê-lo só porque teria que levar uma bebê a tiracolo. Somos um casa de mochileiros e agora levamos a nossa pochetinha pra cima e pra baixo.

Ela não tinha nem completado seis vezes e já tinha viajado 5 vezes de avião. No início as viagens eram mais tranquilas pra casa de amigos ou parentes, as últimas duas já foram pra destinos inéditos e a última foi mais no estilo que eu e o Mendel gostamos de viajar. Todas as viagens foram uma delícia, acabamos descobrindo que ganhamos uma companheirona de aventuras. Também não poderíamos esperar nada diferente de uma bebê que foi feita em Paris.

A primeira viagem foi com três meses pra Salvador pra comemorar os três aninhos do primo Bruno, ficamos 4 dias e minha mãe foi com a gente.

 Na festa do priminho

 Com mamita

 Dando uma voltinha na praia.

 As quianças tudo

A segunda viagem foi para apresentar Morena a minha avó. Não podia demorar muito porque a velhinha já tá bem velhinha, mesmo assim com seus 95 anos pegou a Morenaa no colo e vê-las juntas me emocionou muito. Dessa vez fomos em 7 pessoas, eu fazia questão que meu pai fosse junto pra fazer uma foto das 4 gerações juntas, aí acabou que a família toda se animou e fomos passar um final de semana na terra do pão de queijo.

 Manga no pé no sítio da tia.

 Com minha vózinha

 Quatro gerações


Passeando na lagoa que dá nome à cidade.

O terceiro destino foi São Paulo, marido tinha um congresso na Colômbia e achamos que seria demais levá-la, um amigo tinha voltado de lá há pouco e não tinha tido boas experiências. Como eu não queria passar uma semana sozinha, fiz as malas e fomos passar uns dias na casa de amigos em São Paulo. Dessa vez fomos sozinhas. Como o clima da cidade é seco e muito louco, Morena voltou com algumas ziquiziras. Uma conjuntivite que ia e voltava e só teve fim no natal e com uma virose que me deixou com o coração pequeno, mas ver a alegria da filhinha da minha amiga ao brincar com a bolinha fez tudo valer a pena.

 Nem Teresa resistiu as bochechas da Morena

 Com amigos queridos

Na volta já com conjuntivite

Brincando com tia Carol que nos hospedou

Em um próximo post mostro as fotos das últimas duas viagens e conto um pouco de como foi, como as outras foram viagens para lugares inéditos tivemos alguns cuidados que gostaria de compartilhar.

Quem disse que não vai fazer?

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É claro que vai!

A maternidade chega e com ela caem um monte de verdades que você carregava. Eu tenho várias ideias sobre a maternidade, algumas eu sigo e outras caem por terra. Uma delas foi a de sugar catarro do nariz do filho, sempre que ouvia os relatos fazia ânsia de vômito e dizia em alto e bom som que NUNCA faria. "Aham Cláudia, senta lá"

Bastou vir o primeiro resfriado/virose/catarreira da Morena pro cuspe cair bem grande na minha testa. Tentei sugar o narizinho dela com o desencatarrador que ganhamos no chá de bebê, mas aquilo não funciona direito, não puxa o catarro todo. Vendo Morena sem dormir e mal conseguindo mamar, pedi ao marido pra assumir a tarefa nojeira. Ele foi sem pestanejar, sugou, mas disse que não saiu muito. Continuava fazendo toda vez que achava que ela estava muito entupida, só que ele trabalha em outra cidade e chegou o dia de ficarmos só nós duas e o catarro.

Fomos tomar banho e o barulhinho de nariz entupido ali firme e forte. Não pensei duas vezes, deitei Morena no meu colo, coloquei a boca no narizinho dela e suguei. Ela me olhou com uma carinha de alivio que toda a nojeira passou despercebida. 

Obs: todo o catarro sugado, foi cuspido.

Quem disse que não faz? Mãe faz!

"Tibum, tibum da cabeça ao bumbum"

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Aqui em casa nós optamos por não comprar banheira. Não temo espaço pra deixar a banheira com pé armada no banheiro e a ideia de ficar de um lado pro outro carregando água pra dar banho em cima da cama me enlouquecia. ainda grávidos optamos pelo balde metidamente chamado de ofurô. 

O primeiro banho em casa foi trevas. Morena era muito pequenininha, molinha e eu toda sem jeito deixei ela cair dentro do balde (ela não caiu de cabeça). Hahahah Agora eu rio no dia chorei e me achei a pior mãe do mundo. No dia seguinte a Kira veio aqui e me deu a ideia de dar banho no chuveiro sentados numa cadeira de praia. Adotamos a ideia e durante os três primeiros meses o banho em sua maioria era dado assim. Ela gostava tanto que até dormia, quando molhava a cabecinha dela ela soltava um gemidinho e fechava os olhinhos de que estava adorando. Tão fofa!


O banho trevas, nesse momento ainda estava tudo tranquilo.

Quando o Mendel não estava em casa eu dava banho em uma bacia pequena que comprei pra dar banho nela, ela não curtia tanto quanto o de chuveiro, mas rolava e o de balde era dado só a noite pra relaxar e ela dormir.


Banho com o papai no chuveiro, quando a cadeira ainda era necessária.

Agora que ela já tá bem mais durinha mesmo quando só estamos nós duas o banho é de chuveiro. Primeiro eu dou banho nela no meu colo, quando termino encho o balde e a coloco dentro. Tomo o meu banho olhando pra ela me enxugo e tiro ela do baldinho. Desse jeito tem funcionado muito bem, ela curte o banho de chuveiro e eu não fico mal humorada por não conseguir tomar banho. Agora nós já estamos abusados e tomamos banhos os três juntos, uma farra bem gostosa.

 No baldinho esperando eu terminar o banho.

Lembrancinha da maternidade

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Eu não me preocupei muito com esse item, mas acabou que no fim virou uma lembrancinha mega fofa. No início da minha gravidez, minha mãe comprou na Natura esse mini sabonete da linha mamãe e bebê e a princípio essa seria a lembrancinha. No meio da gravidez minha irmã e cunhado deram à Morena esse desenho que eu acho lindo e resolvi fazer imã de geladeira e entregar junto. No fim não sei porque eu cismei de juntar as outras coisas esse coração de tecido pra pendurar na maçaneta da porta. 

Comprei o coração na Caçula, botões e fitas pra fazer o que queria. Minha ideia era entregar tudo junto num saquinho de celofane, mas uma amiga achou que ficaria pobrinho e pediu pra mãe dela fazer uns saquinhos de filó. No fim achei que a lembrancinha ficou mega fofa. Fiz 40 unidades e me arrependi, deveria ter feito 60, algumas pessoas importantes ficaram sem.







Enfim uma rotina

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Morena já está com 3 meses e meio e somente agora temos uma rotina pra chamar de nossa. 

O primeiro mês de vida dela foi relativamente tranquilo, ela dormia praticamente o tempo todo e o único momento de tensão era a hora da cólica. Ela chorava e eu também. O segundo mês chegou e trouxe uma avalanche de tensão, ela chorava praticamente o dia inteiro, só dormia se fosse em cima de mim e eu não podia me mexer nem um milimetro que ela acordava aos berros. Tudo era chorando e por muitas vezes chorávamos juntas sem saber o que fazer, foi um mês terrível. A chegada do terceiro mês levou a nuvenzinha negra e agora FINALMENTE conseguimos estabelecer uma rotina que tento seguir até quando estamos viajando ( Morena já viajou, falarei disso depois). Com a rotina o dia fica muito mais tranquilo e assim conseguimos nos curtir muito mais.

O dia começa por volta das 8 da manhã, dou mamar e coloco ela na cadeirinha onde ela fica brincando enquanto tomo meu café, brincamos um pouco e vamos tomar banho. Depois do banho ela já está com soninho pra soneca da manhã, ela tira sua soneca e eu arrumo o almoço. A tarde tento sempre fazer um passeio, nem que seja umas voltas pelo quarteirão no carrinho e mais uma soneca. Quando acorda da soneca a gente brinca e tento fazer nessa hora uma atividade estimulante própria pra idade dela. Por volta das 19:30 tomamos mais um banho ela mama e dorme. 

Com o dia assim organizadinho, ela não fica ansiosa nem estressada e eu consigo fazer tomar banho e comer sem ficar desesperada. Na rotininha que descrevi não coloquei as mamadas certinhas porque aqui rola em livre demanda, então não tem horário definido. O melhor de conseguir organizar o nosso dia e colocá-la no berço por volta das 20h é que sobra um tempinho pra mim e pra curtir o marido que anda um pouco de lado nessa loucurinha gostosa.


A solidão da maternidade

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Sim, solidão. A gente passa o dia inteiro agarrada na cria, sentindo aquele cheirinho e amando até não poder mais, mas ao mesmo tempo fui acometida por uma solidão dolorosa.

Essa semana minha amiga publicou um texto no Minha Mãe Que Disse e esse trecho explicou muito bem o que eu venho sentindo.

"Ao contrário do que podem dar a entender as frases feitas e as propagandas de fralda ou de margarina, tornar-se mãe inclui um processo de reestruturação emocional e redefinição de nossa identidade nem sempre confortável."

A verdade é que o parto da mãe é muito mais demorado e "sofrido" do que parir um filho naturalmente. Morena nasceu há três meses e eu ainda estou tentando descobrir quem eu me tornei, a mãe que quero ser. O processo todo é doloroso e solitário, e na verdade tem que ser mesmo, não doloroso, mas solitário. É um auto descobrimento, uma reformulação que muitas vezes exige reclusão. Não digo reclusão de  ficar em casa trancada, digo reclusão consigo mesmo. Hora de olhar pra dentro de refletir de se enxergar e muitas vezes pessoas próximas a você mais vão atrapalhar do que ajudar. Não são capazes de perceber o tamanho da mudança que uma pessoinha que chegou com menos do que 50 cm é capaz de fazer.

Tenho tomado alfinetadas que tem me magoado, ferido e me feito virar uma concha. Tornando tudo ainda mais doloroso. Antes da Morena nascer eu já teria mandado à merda, mas agora piso em ovos e sinceramente, não levo o menor jeito pra isso. Fico afastada tentando não entrar em conflito.

Esse post é mais um desabafo do que qualquer coisa. Talvez também sirva de alerta se você tem uma amiga, mulher recém parida e está um pouco diferente tente entender e por favor seja MUITO paciente. A variação hormonal e todas as mudanças que chegam junto com a bolinha com nariz de pipoca (Cantamos pra Morena: Morena bolota nariz de pipoca rsrsr) piram um pouco a cabeça.


Relato de parto - Parte II

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Não leu a primeira parte? Clica aqui.

As dores aumentavam, estavam mais frequentes e com uma duração maior. Por volta das 22h elas já duravam mais de um minuto e praticamente sem intervalo entre elas. Mais uma vez fui pra de baixo do chuveiro com o Mendel sempre ao meu lado. Eu gritava quando vinha a contração e perguntava cadê a Kira que não chegava. Foi só eu terminar a pergunta que o interfone tocou, fiquei muito feliz dela ter chegado e que a partir daquele momento teria as massagens dela (santas massagens). Saí do box, Mendel me secava e lá vinha mais uma contração. As pernas bambearam e tive que me apoiar nele pra não cair.

Me levaram para o quarto pra Kira fazer o exame de toque pra ver quanto estava de dilatação, eu estava com medo de estar com aquela dor toda e ter somente 2 cm de dilatação. Ela fez o exame e não conseguiu verificar direito e pediu que eu ficasse deitada de barriga pra cima  que ela tentaria verificar na próxima contração. Ficar deitada de barriga pra cima tendo contração foi 3 momento mais difícil do TP. Quando terminou o exame ela fez um sinal de positivo pro Mendel e perguntei com quanto eu estava de dilatação, ela disse que eu já estava com 8 cm. 

O Mendel foi tomar banho, eu tomei banho e seguimos pro carro. Antes de sair de casa lembrei de pegar a Nossa Senhora do Bom Parto dada por minha mãe no início da gravidez. Do caminho de casa até a garagem tive umas duas contrações, quando elas vinham eu me apoiava na Kira. Entrei no carro e veio uma contração tão forte que a santinha que estava na minha mão voou longe e eu fui o caminho todo pendurada no puta que pariu. Ficar sentada parecia impossível, a cada contração a Kira pedia pro Mendel reduzir a velocidade. Nesse momento eu entrei na partolândia e não conseguia prestar atenção ao que acontecia a minha volta, olhava pela janela do carro e não fazia ideia de onde estava, mesmo conhecendo o caminho. Aguentar as contrações no carro com pouca mobilidade e sem água quente foi o segundo pior momento do TP.

As contrações vinham e eu gritava me apoiava na porta do carro o que fazia com que o vidro ficasse abaixando e levantando. Se você passou pela Linha Amarela na noite do dia 15/07 e viu uma mulher com cara de louca e gritando era eu hahaha. Chovia muito e eu gritava pro Mendel acelerar e a Kira pedia pra ele reduzir. Quando estávamos chegando eu comecei a sentir vontade de empurrar e gritava que ia fazer cocô no carro (antes de engravidar o meu maior medo era fazer cocô no parto, a minha médica disse que um dos primeiros sinais que a gente tem ao entrar em TP é fazer bastante cocô e realmente eu fiz um gigante logo depois da bolsa estourar e apesar de ter a sensação de querer fazer cocô eu não fiz em momento algum do TP. Eba!)

Finalmente chegamos no hospital. O Mendel estacionou e saiu correndo pra dar início na minha internação e eu fiquei com a Kira no carro esperando a Fernanda chegar. Em menos de um minuto a Fernanda chegou e com muito custo e duas contrações depois a Kira conseguiu me tirar do carro. Segundo o Mendel eu entrei na maternidade berrando e as pessoas que estavam no saguão de entrada ficaram assustadas comentavam que eu estava sofrendo e que estavam com pena e o Mendel dizia que um TP era assim mesmo e que estava tudo bem. A Kira foi me levando pra um elevador e minha médica disse pro Mendel acelerar senão ele ia perder o parto. Entramos eu, Kira (EO), Fernanda (obstetra), Cláudia (pediatra) e por último entrou correndo o Mendel, a porta já fechava e eu com contrações e tudo a segurava pra ele entrar. Lembro que tinha duas outras médicas dentro do elevador que reclamaram com a minha médica que eu não poderia subir por aquele elevador. Minha médica respondeu de forma ríspida que eu subiria sim por aquele que o bebê já estava nascendo. Eu levantei a cabeça que estava apoiada na Kira e mandei a mulher tomar no cu. Sim, com todas as letras. Vai brincar com uma mulher em trabalho de parto. hahahahahah

Chegamos no centro cirúrgico, a sala de parto humanizado fica dentro do centro cirúrgico me levaram pra uma salinha, tiraram a minha roupa e me colocaram aquela camisola sexy de bunda de fora e fomos todos pra sala de parto. Entrei na sala e falei que queria a banheira, a Fernanda me disse que não tinha tempo pra banheira que Morena já estava nascendo. disse que ia ao banheiro fazer cocô e ela disse que não era cocô que era Morena nascendo. Todas as vezes que dizia que queria fazer cocô ela repetia que era a Morena nascendo.


A cama era parecida com essa da foto, elas colocaram essa barra presa na extremidade da cama e me posicionaram de quatro, com os joelhos no chão e os braços apoiados na cama. Eu não me adaptei a essa posição, pois quando eu fazia força fechava as pernas e atrapalhava a passagem. A kira decidiu me mudar de posição e sentou o Mendel na ponta da cama, eu fiquei entre as pernas dele segurando na barra e de cócoras. No intervalo entre as contrações eu relaxava o meu corpo e o Mendel me segurava por de baixo dos braços. Kira e Fernanda estavam sentadas no chão e a pediatra em pé no canto da sala. A cada contração eu fazia força, mas não gritava com medo de gritar e desviar a força pro lugar errado. Apesar de fazer muita força parecia que nada estava acontecendo.

Nessa hora o ritmo entre as contrações diminuiu um pouco e eu fiquei com medo do TP travar. Na tentativa de retomar as contrações chamei a Morena, falei pra ela vir que eu e o pai dela estávamos de braços abertos pra recebê-la.  De repente comecei a sentir necessidade de gritar junto com a contração, na primeira força ela coroou e senti o tal do círculo de fogo, esse foi o pior momento do TP, queima muito! Mais duas forças, um grito enorme e a voz do Mendel ao fundo falando pra eu abrir os olhos que ela tinha nascido. Lembro de pensar que se ele estivesse me zoando e eu abrisse os olhos e ela não tivesse nascido expulsaria ele da sala. É que ele fazia algumas piadas no TP. 

Abri os olhos e lá estava ela linda, coberta de vérnix, presa em mim ainda pelo cordão de olhos e bracinhos abertos. Peguei ela no colo, deixei o corpo sentar no chão e olhava pra ela e pro Mendel sentindo uma alegria e emoção que nunca tinha chegado nem perto de sentir. Morena não chorou forte, ela fazia só uns barulhinhos. Olhei pra pediatra perguntando se estava tudo bem e o diagnóstico dela foi: Sim! Sua filha é bochechuda, se não estivesse eu não estaria aqui parada. 

Morena nasceu as 00:40 do dia 16/07/2013 depois de 12 horas de trabalho de parto, em uma sala escurinha direto pro meu colo e nele ficou por mais de uma hora. Não teve colírio, aspiração e exames desnecessários. Recebeu apgar 9/10. O pai cortou o cordão só depois de parar de pulsar. Foi ao berçário somente pra pesar e medir, não ficou um só minuto longe dos pais e foi pro quarto junto comigo. Depois que cheguei no quarto o Mendel foi procurar a chave do carro, carteira dele e meus documentos. Ele largou tudo na recepção e saiu correndo depois que a Fernanda disse que ele perderia o parto se demorasse. Antes de ir embora a Kira me disse que mentiu pra mim que em casa eu já estava com os 10 cm de dilatação. Definitivamente Morena quase nasceu na Linha Amarela.

Foi um parto lindo e rápido somente uma hora após chegar no hospital (o cartão do estacionamento mostrava que entramos as 23:40) Morena já estava em nossos braços. Pela manhã ligamos pros nossos pais avisando do nascimento da nossa passarinha e eu que ainda não tinha chorado, me desmanchei ao avisar à minha mãe que Morena finalmente tinha nascido.

Morena nasceu tão rápido que não deu tempo da fotógrafa chegar, ela chegou uns dez minutos depois que ela nasceu. Fotos: Bel Junqueira

 Até hoje ela vive com essas mãozinhas no rosto.

 Placenta e cordão umbilical.

 Mamando na sala de parto.

 Babões.

Mendel, minha doce Kira, minha amada Fernanda que briga contra o sistema pra que a gente possa parir de uma forma menos mecânica e mais humana e Cláudia que virou a pediatra da Morena. A equipe que me ajudou a trazer minha passarinha ao mundo. Obrigada, muito obrigada!


O primeiro passeio só com a mamãe

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Eu participo de um grupo de mães do facebook e esse grupo sempre marca encontros pros bebês brincarem e as mães conversarem, trocarem experiências, dúvidas e mais o que vier a cabeça. Sempre quis ir aos encontros, mas ficava com medo de ir sozinha e Morena fazer um mega escândalo no caminho e eu me desesperar dirigindo e não ter como parar o carro e tentar acalmá-la.

Como eu disse aqui, estava cansada de ficar em casa sozinha e acabei tomando coragem. Na manhã do encontro acordei antes da Morena, tomei banho, me arrumei e ela acordou. Contei pra ela o que a gente faria e que ela tinha que ir na cadeirinha sozinha lá atrás, mas que eu estava disposta a seguir o ritmo dela e que pararia o carro sempre que necessário, pedi pra ela ir tranquila pra gente poder passear. Minha filhota tão lindinha foi e voltou dormindo, nos divertimos, ela pegou um solzinho e passamos o resto do dia tranquilas em casa.

Depois desse passeio eu tomei coragem de passear com ela. Percebi que se o carro estiver em movimento ela fica tranquila mesmo se tiver acordada. Agora se estiver engarrafado ou o sinal demorar muito a abrir ela abre o maior berreiro, quando estou dirigindo começo a cantar e ela se acalma um pouco e para de chorar.

 Eu e Morena pegando um solzinho.

Tia Ju também estava no encontro :)

Recomendo muito que mães de bebês recém nascidos encontre um grupo de mães pra conversar e que estejam vivendo as mesmas experiências que você. Assim você tira dúvidas e ninguém vai encher o saco de você só falar sobre o bebê.

Só um desabafo.

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A cria é linda bochechuda, cheia de saúde e cada vez a amo mais, mas tenho me sentido presa dentro da minha própria casa. Como ela é ainda muito novinha são poucos os lugares que a gente pode ir com tranquilidade e o tempo bunda que anda fazendo no Rio e o meu medinho de dirigir sozinha com ela só pioram as coisas.

A maternidade é uma coisa linda, só que esses primeiros meses de adaptação são complicados, pelo menos eu tô achando. Almoçar, tomar banho, fazer xixi e outras coisas nos dias que o marido fica fora só nas sonequinhas dela. Então por aqui é normal tomar café as 11h da manhã, mesmo quando você acordou as 7h, almoçar qualquer coisa com a criança mamando é difícil. A gente se entrega demais e por mais que essa entrega nos dê muito prazer a gente fica se perguntando e as outras coisas?

A vontade por uma certa normalidade por aqui anda tanta que já tô até considerando ir ao mercadinho da esquina um grande passeio hahahha Acredito que conforme a lista de lugares possíveis pra ela aumente a sensação de aprisionamento diminua.

Sigo por aqui semi presa e lambendo muito a cria.

O caminho para o meu parto natural - parte I

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Eu já escrevi aqui no blog uma indignação em relação a dificuldade de se conseguir um parto natural nesse país, em como é difícil encontrar profissionais que respeitem as escolhas da mulher e quando encontramos temos que pagar um preço alto para isso. Digo preço alto não em relação ao valor pago aos profissionais que me assistiram. Sempre achei que valia a pena e hoje depois de ter parido da forma como sempre quis, acho que vale ainda mais a pena. O absurdo é em relação as várias tarifações que pagamos, vamos lá. Se pago impostos que são investidos na saúde e o sistema público é tão precário que me "obriga" a pagar mais uma vez pra ter acesso a médicos e hospitais que nesse caso é o plano de saúde, que por sua vez não remunera decentemente os médicos e enfermeiros que me "obriga" novamente a pagar de maneira particular pra ter acesso a profissionais em que posso confiar e que estão de acordo com o que eu penso em relação ao parto. A gente paga três vezes pra conseguir o que queremos. Enfim...

Nesse longo caminho que comecei a traçar bem antes de engravidar, li muito, conversei muito com amigas e profissionais da área e acabei encontrando minha querida obstetra que nos ajudou a caminharmos firmes em direção ao nosso desejo. Falo no plural porque o Mendel teve um papel fundamental no pré-natal e durante todo o trabalho de parto, inclusive digo que parimos juntos. Nossa obstetra nos indicou a Kira para ser nossa enfermeira obstétrica (E.O.) que me acompanharia a partir do sétimo mês até o pós parto. Quando entrei no sétimo mês passamos a ter encontros semanais com ela.

Kira, minha doce e querida enfermeira obstétrica.

Ao chegar no primeiro encontro, cheguei meio ressabiada dizendo pro Mendel que achava que seria algo meio hippie e não colocava muita fé não. Nesse encontro conversamos bastante e ela explicou como seria o trabalho dela e em como ele nos ajudaria a olhar pra nossa alma, nos conectarmos com o nosso corpo. Ali tive a certeza que era coisa de hippie. Puro preconceito! Ela me olhava de forma holística, não interessava somente as informações da gravidez, com sua voz doce e ao mesmo tempo firme de quem tem a certeza do que fala ia me informando, ensinando e acolhendo. Ali naquele mesmo encontro passei a confiar totalmente nela. Sabia que estávamos em ótimas mãos.

Cada encontro a gente fazia uma atividade diferente, dependia muito do que ela sentia que eu estivesse precisando. No primeiro encontro eu cheguei lá com uma baita dor na perna direita que mal conseguia andar, Morena estava apoiada em um nervo que me causava tal dor. Ela me deitou na maca e fez uma massagem que fez com que a dor praticamente sumisse, em um outro que cheguei chorosa, chateada com algumas coisas ela fez acupuntura, em um outro exercícios de respiração em conjunto com o Mendel para o trabalho de parto, em outro ensinou massagens pro Mendel fazer em mim durante o TP e em todos muita conversa, carinho, acolhimento, ou seja, só amor.   

No dia D, ela foi a primeira pessoa pra quem liguei e ela ficou o tempo todo em contato com o Mendel pra saber a hora certa de vir pra cá pra casa, nos ajudou muito a colocar a Morena no mundo e ainda mais na amamentação. Ela não é uma doula, ela é enfermeira formada que faz um serviço de acompanhamento para grávidas e também faz partos domiciliares. 

Ainda farei um relato do parto da Morena, mas antes quero falar do caminho que percorri pra chegar nele.

Dicas pra facilitar a amamentação

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Já disse aqui que a amamentação dói um bocado e precisa sim de muito preparo. A minha médica só me disse que durante a gravidez eu não deveria passar hidratante nos mamilos e bicos dos seios pra ele ficar cascudo. Tem gente que passa bucha vegetal pra ajudar nesse processo. Eu não fiz e não sei se funciona. A verdade é que mesmo não passando hidratante, o peito não "cascudou" o suficiente.

Então eu fui fazendo e usando o que amigas experientes me ensinavam. Uma amiga de São Paulo no início da gravidez me emprestou um par de conhas de amamentação que foram bem úteis nos primeiros dias de vida da pequena, ajudou a aumentar os bicos e fez com que Morena pegasse o seio direito que ela não pegava de jeito nenhum. Uma outra amiga de Curitiba me mandou pelo correio ainda na gravidez uma pomada chamada Art'Lan de lanolina ultra purificada que dá um alívio na sensação de queimação que ficam nos meus seios depois de amamentar por um tempo prolongado (Morena a noite fica "pendurada" de 18h as 22h + ou -)

Nos primeiros três dias de vida do bebê eles alimentam-se do colostro. O leite mesmo só desce depois do terceiro dia e isso dói os seios ficam duros e com uns calombos que são onde o leite fica armazenado pra descer pelos ductos mamários. Minha E.O (enfermeira obstétrica) veio aqui em casa no terceiro dia pra me ensinar uma massagem pra aliviar a dor quando eles estão muito cheios e ela não quiser mamar. Depois de um tempo o próprio corpo regula a produção de acordo com a demanda do bebê e a gente não sente mais esse incômodo. A massagem deve ser feita em movimentos circulares dos bicos até os calombinhos (você vai sentir com a mão) eles ficam na "extremidade" em volta de todo o seio. Depois de massagear, você deve ordenhar um pouco os seios pra sair um pouco de leite e fazer com que ele desça, aí você faz uma compressa com água gelada pra inibir a produção temporária de leite e diminuir o inchaço. Não sei se eu expliquei direito, procurei um vídeo explicando mas não encontrei :-/

Pra ajudar na cicatrização é bom pegar sol nos seios, mas por aqui não rola ficar com as peitolas na janela. Então uma alternativa é tomar banho de luz com uma lâmpada quente de no máximo 40W por 10 minutos em cada seio. Antes de colocar a luz, eu espremo um pouco de leite e deixo secar com a luz. dizem que o leite ajuda na cicatrização.

 Essa imagem ilustra mais ou menos o que eu falei, esses "cachichos" de uva são os calombos que eu falei que ficam duros e a massagem é pra liberar o leite dos cachichos pros ductos e bico. A massagem tem que ser feita do bico pra cima pra poder desobstruir os caminhos.

 A mesma amiga da São paulo me indicou que comprasse esse protetor de seios, ele custa em média 40 reais e por ser em gel, ele deixa um geladinho nos seios que aliviam bem as dores.

 Eu uso esses protetores de seio durante o dia e o em gel eu normalmente coloco a noite.

 Essas conchas eu usei nos três primeiros dias, depois que o bico "pulou" eu parei de usar porque minha EO disse que a umidade pode fazer mal e criar fungo.

 Essa foi a pomada que uma amiga mandou, ela dá uma baita aliviada nas dores e junto com o protetor em gel o alívio é ainda maior.

 Essa bomba manual de retirar leite é uma porcaria, mas ajudou um pouquinho no primeiro dia da descida do leite.
Depois uma outra amiga me emprestou essa bomba manual da avente que é infinitamente melhor.

Essas são as dicas que eu tenho pra tentar aliviar os incômodos causados pela amamentação, espero que elas ajudem alguém.

Semana mundial do Aleitamento Materno

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Por aqui ainda estamos no começo de uma longa caminhada de amamentação exclusiva no seio. Temos só 20 dias de muita entrega, dor, lágrimas e até sofrimento. Sim, pra mim a amamentação está longe de ser prazerosa, mas como sei da sua importância sigo me entregando completamente à amamentação e ver a Morena se lambuzar e ganhar peso só com o alimento produzido por mim faz tudo valer a pena.

Amamentar é muito difícil, difícil porque a gente passa a gravidez toda se preparando pro parto, organizando o enxoval e pensando em linhas de educação que seguir. Não pensei que a amamentação fosse requerer uma preparação similar a do parto. As amigas mães mais experientes dizem que daqui a pouco eu estou apaixonada pela amamentação e que as dificuldades do início vai passar. Tô confiando nelas.

Mini-Danee

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A foto da esquerda sou eu com 3 meses e a da direita minha Morena. Mendel a chama de mini danizinha e eu fico toda boba com a semelhança ;)

Enfeites de porta da maternidade.

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Sim, enfeites no plural.

Eu ainda estava pensando se encomendaria alguma coisa ou se tentaria fazer algo. A minha personal tem uma mãe super habilidosa e decidiu que me daria o enfeito de porta de presente. Fiquei mega sem graça. Como assim uma pessoa que nunca me viu faria algo pra minha filha? Ela me mandou uns modelos eu escolhi os que mais gostei e ela decidiria qual faria de surpresa.

Quando ficou pronto eu já não estava mais indo à academia, estava com quase nove meses e o peso e cansaço me tiravam qualquer disposição pra fazer exercícios. Ela me mandou uma mensagem e fomos eu e o Mendel encontrá-la. Quando abri foi um chororô só, eu chorava, ela chorava e até o Mendel se emocionou. É muito carinho receber um presente tão fofo de alguém que só te conhecia de ouvir a filha falar. 


Alguns dias depois a Mayra me liga dizendo que tem que me encontrar antes da Morena nascer pra me entregar algo e chegou lá em casa com essa outra lindeza feita por ela e pela mãe dela. Morry de amores! O engraçado é que os dois enfeites combinavam perfeitamente. 


 

Os dois enfeites na porta da maternidade <3 p="">

Agradeço imensamente o carinho que essas pessoas tem com a gente. É tão bom nos sentir queridos. Obrigada meninas!


Roupas na gravidez

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Quando engravidei eu já tinha muitos vestidos longos e soltinhos e eles foram os meus principais companheiros ao longo da gravidez. Acontece que conforme ela vai avançando a gente vai cansando de usar sempre a mesma coisa e sente que voltou a época da escola e voltou a usar uniforme.

Mesmo com a paciência acabando de usar as roupas eu não queria investir muita grana em roupas para grávidas que em geral são bem carinhas. A primeira peça que comprei foi esse short jeans em uma feira de gestante e bebê. Comprei quando tinha três meses de gravidez e até hoje ela me serve confortavelmente, com certeza foi uma peça que valeu a pena o investimento apesar do valor altinho. Ele é jeans e na cintura tem uma faixa de elástico que é meio feinha, mas super confortável. Eu comprei uma calça de brin para grávida que tem a regulação interna e não me adaptei, achei desconfortável e só consegui usá-la umas três vezes :/ 





Eu recebo emails de um site de compras próprio para mães e bebês, um dia recebi que uma loja estava com promoções de roupas para grávidas. Comprei esses dois vestidos, a tal calça de brin por um preço super bacana, o único arrependimento foi a calça. Ainda bem que o preço foi bem camarada o que não causou arrependimento de comprar sem experimentar. Essas três peças custaram menos do que o short jeans.




Buscando uma alternativa à calça legging, eu comprei essa calça bem baratinha nas Lojas Americanas que uso até hoje na gravidez, ela é super confortável e dá pra usar tranquilamente depois que a gravidez acabar.


Não acho que seja necessário comprar um armário novinho de roupas. Dá pra adaptar peças que você já tenha com algumas poucas aquisições e sobreviver ao limbo da moda que aflige as grávidas. 

8º Mês

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Nesse mês a falta de ar continua firme e forte e pra fazer companhia a ela o inchaço veio com tudo. Ando tão inchada que no domingo eu não tinha tornozelos. Até chegou a me preocupar e mandei uma mensagem pra minha médica que me tranquilizou e disse ser super normal nessa reta final.

O quarto da Morena já está quase todo pronto, só falta instalar a tela de proteção e o meu cunhado terminar de fazer a pintura artística. Ansiosa mode on! As roupinhas e todo o enxoval estão lavadinhos, as muitas fraldas (foram mais de 2.000!!!) ganhas estão todas guardadinhas e organizadas por tamanho. Falta arrumar a malinha da maternidade e isso será feito até semana que vem :)

A maior parte das roupinhas e roupas de cama foram lavadas pela minha mãe e a Zefa que trabalha pra ela, mas eu fiz questão de lavar algumas. Essas na foto são as roupinhas a partir de 3 meses que lavei ontem, não foi trabalho nenhum. Pelo contrário, cada peça que lavava lembrava quem tinha dado e imaginava quanto carinho já estava impregnado nessas roupinhas. Acho que só mãe é capaz de se emocionar lavando roupas. MãeÉTudoBoba!


Trabalho X Gravidez

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Não sei como é trabalhar no fim da gravidez em outras profissões. Sou professora e confesso que na segunda a noite eu já começo a sofrer pela terça. Na terça eu dou 10 tempos de aulas seguidos com um intervalo para o almoço. Vou me arrastando, desanimada e cansada, porém eu gosto tanto do que faço que o dia vai passando e eu nem "sinto" que as aulas foram passando. Quando chega no final do dia agradeço e volto pra casa com uma sensação boa de dever cumprido e com as energias renovadas pra dar aulas nos outros dias da semana.

Claro que chego em casa e não sou ninguém, não tenho energia nem pra fazer o jantar. Se não tiver nada pronto, eu peço pra entregar e na quarta eu mal saio do sofá. Na quinta e no sábado tudo recomeça e já conto os dias pra entrar de licença.

Ao mesmo tempo que o cansaço bate e desanima o carinho dos alunos me deixa com uma pontinha de tristeza de ter que deixá-los no meio do ano letivo. Acho que é por isso que eu não peço uma folguinha pra minha médica. Eles entendem a falta de ar e as explicações pausadas pra respirar, passam a mão na barriga e me enchem de água. É um carinho que faz valer a pena sair da cama e ficar 10 horas em pé. Meus alunos já estão fazendo um bolão pra ver quem adivinha quando ela nasce. Morro de rir!

O meu trabalho me enche de prazer e mesmo assim é difícil sair de casa, imagino quem não ama o que faz como deve ser no finzinho da gravidez onde tudo cansa o triplo. Ser "obrigada" a trabalhar até quase o parto é cruel com as mulheres grávidas, se a gente pede a licença com muita antecedência a gente perde tempo com o bebê e ter que fazer essa escolha dói. Aliás deve ser a primeira das escolhas dolorosas que nós faremos na maternidade.
 

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