Lógico que a maternidade já trouxe várias mudanças internas e acredito que todas aquelas que engravidam por vontade própria imaginam que essas mudanças de fato vão acontecer. O problema é que eu me reconheço e demorei anos pra construir a Danee que sou hoje. Eu sou uma construção dos meus pais e depois de mim mesma que fui me tornando "gente" a partir de percepções que tenho do mundo. Posso ser um tanto contraditória (quem não é?). Conheço os meus defeitos, qualidades e consigo prever como vou reagir em determinadas situações, mas e depois?
Como será a Danee mãe, não faço a mínima ideia. Tenho muitas certezas do que não quero ser e do que quero manter. Tenho medo que a danee-mãe anule a danee-eu. Eu não sei quais sombras (A maternidade e o encontro com a própria sombra, aqui dá pra baixar uma parte do livro) a maternidade vai trazer a tona e como essas sombras vão me recriar.
Sei que não quero deixar de lado a danee-eu, a professora, boleira, amiga, mulher, esposa. Quero que a danee-mãe venha somar junto com as outras danees sem me anular. Sei que mudanças são inevitáveis e não as renego, acho inclusive que são muito importantes que elas aconteçam ao longo da vida. O medo é do desconhecido e dos instintos mais primitivos que a maternidade pode trazer a tona.
Algumas amigas que tive a felicidade de acompanhar a gravidez e a vida pós nascimento de perto retratam mudanças significativas no seu eu interior. As amigas as quais me refiro não tiveram depressão pós parto, importante deixar claro que uma coisa não tem nada a ver com outra. São mães lindas, bem sucedidas e contentes por demais com as crias lindas. No entanto essas mudanças trouxeram alguns questionamentos profundos com os quais elas têm que lidar de certa forma sozinhas. É um processo de reformulação pessoal muito intenso e rápido. Que por mais que eu escute, aconselhe (quando acho que posso), abrace e diga que estou aqui pro que elas precisarem é um processo solitário.
Muitas pessoas dizem dos problemas que surgem com o nascimento do bebê, das noites mal dormidas, do cansaço, das muitas horas disponibilizadas para a amamentação, da falta de desejo sexual, da falta de liberdade de sair a hora que quiser. Imagino que todas essas coisas tragam sim uma série de descontentamento, mas eu tenho muito mais medo do processo de reformulação que está por vir.
Esse texto é só um desabafo escrito em uma noite de insônia e pra deixar registrado que eu acho que esse processo de reformulação já começou e eu não me dei conta.



