Páginas

A solidão da maternidade


Sim, solidão. A gente passa o dia inteiro agarrada na cria, sentindo aquele cheirinho e amando até não poder mais, mas ao mesmo tempo fui acometida por uma solidão dolorosa.

Essa semana minha amiga publicou um texto no Minha Mãe Que Disse e esse trecho explicou muito bem o que eu venho sentindo.

"Ao contrário do que podem dar a entender as frases feitas e as propagandas de fralda ou de margarina, tornar-se mãe inclui um processo de reestruturação emocional e redefinição de nossa identidade nem sempre confortável."

A verdade é que o parto da mãe é muito mais demorado e "sofrido" do que parir um filho naturalmente. Morena nasceu há três meses e eu ainda estou tentando descobrir quem eu me tornei, a mãe que quero ser. O processo todo é doloroso e solitário, e na verdade tem que ser mesmo, não doloroso, mas solitário. É um auto descobrimento, uma reformulação que muitas vezes exige reclusão. Não digo reclusão de  ficar em casa trancada, digo reclusão consigo mesmo. Hora de olhar pra dentro de refletir de se enxergar e muitas vezes pessoas próximas a você mais vão atrapalhar do que ajudar. Não são capazes de perceber o tamanho da mudança que uma pessoinha que chegou com menos do que 50 cm é capaz de fazer.

Tenho tomado alfinetadas que tem me magoado, ferido e me feito virar uma concha. Tornando tudo ainda mais doloroso. Antes da Morena nascer eu já teria mandado à merda, mas agora piso em ovos e sinceramente, não levo o menor jeito pra isso. Fico afastada tentando não entrar em conflito.

Esse post é mais um desabafo do que qualquer coisa. Talvez também sirva de alerta se você tem uma amiga, mulher recém parida e está um pouco diferente tente entender e por favor seja MUITO paciente. A variação hormonal e todas as mudanças que chegam junto com a bolinha com nariz de pipoca (Cantamos pra Morena: Morena bolota nariz de pipoca rsrsr) piram um pouco a cabeça.


5 comentários on "A solidão da maternidade"

Mayra on 18 de outubro de 2013 18:25 disse...

Amiga, eu acho o seguinte, se vc está tendo essa necessidade de se recolher pra definir o que quer como mãe mostra a sua vontade de ser uma boa mãe, acho ótimo esse momento pra não ir simplesmente levando a vida como der. E se eu pela amor de Deus abrir o bocão me fala tá, acho que nesse ponto vc não deva perder o seu jeito de se impor; a filha é sua e do Mendel o resto, por pior que a palavra possa sugerir, essencial mesmo são vcs mesmo. Querendo conversar é só falar, só toda ouvidos!

Graziela Huguenin on 20 de outubro de 2013 19:59 disse...

Puxa...que momento! Mas será passageiro, e com certeza vc sairá outra desse processo!
Um bjo

Cy on 21 de outubro de 2013 12:15 disse...

Danee, eu como mãe há 12 anos posso te dizer firmemente que esta mudança não é fácil mesmo e é duradoura... É pra sempre!! Mas com o tempo você se acostuma e leva de forma natural!

Beijos e boa sorte!!!

O Apê de Nós Três! on 23 de outubro de 2013 00:11 disse...

Nossa, como eu te entendo!
Ah, voltei a postar,se quiser me visitar...
bjuu

Musa Magalhães on 1 de novembro de 2013 16:49 disse...

Só quem já passou sabe. Como se não bastassem todos esses sentimentos, ainda existem o questionamento e a culpa de quem não quer errar de jeito nenhum porque sabe que o serzinho pequeno depende de você e, atualmente, exclusivamente de você. Não é mole não... uma pena quem não entende, porque normalmente, como mães, nos tornamos melhores e agir de forma a alfinetar e ferir só afasta alguém q atualmente está se redescobrindo, sim, mas certamente uma pessoa melhor do que antes.

Postar um comentário

 

"Por onde for quero ser seu par" 2011 | Desenvolvido por Craftices