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Nunca mais será a mesma coisa?

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Eu sempre gostei de dirigir e me sentia confortável e segura, mas depois do que vivemos há duas semanas atrás eu vivo me assustando e tendo crises de medo. Por exemplo, no dia seguinte a tentativa de assalto estava dirigindo e parei em um sinal de trânsito. Um homem saiu correndo pra atravessar a rua e imediatamente eu soltei o volante e me tremi toda. Não era nenhum perigo iminente, era só uma pessoas atravessando a rua e bastou isso pra eu ficar com medo e querer chegar em casa.

Viemos para BH para  ENG e numa noite saímos pra jantar. Na volta estávamos parados no sinal em baixo de um viaduto quando um barulho no vidro da frente nos assustou. Alguém jogou de cima do viaduto um saco plástico cheio de algum líquido. Tomei um susto tão grande que pedi pro Mendel avançar o sinal e acelerar. Pode ter sido somente uma brincadeira de mau gosto, mas esse acontecimento me deixou tensa e cheia de dor de cabeça. Nossos amigos que estavam com a gente pedia pra eu ter calma que não era nada, mas cadê que a calma vinha?

Não tivemos nada roubado no dia que ficamos reféns de bandidos armados, mas a preferia um milhão de vezes que tivessem levado o carro do que ter visto pessoas amadas ameaçadas com armas apontadas. Eles me roubaram muito mais do que coisas materiais. Me roubaram o prazer, a tranquilidade e a paz de andar/dirigir sem me preocupar.

Não deixei de fazer nada nem de sair pra qualquer lugar, mas se antes eu ia tagarelando com o Mendel, agora saio tensa e olhando pra tudo quanto é lado. Será que essa tensão passa? 


Nunca tinha pensado nisso.

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Olá pessoal,

Ontem encontrei com amigas o que é sempre muito bom. A-D-O-R-O o nosso momento clube da Luluzinha. Voltando de metrô com a Wal e fofocando a beça ela me pergunta como vou pra casa depois que descer do metrô. Eu toda sorridente respondi que pegaria um taxi. Ela fez uma cara de preocupação e disse que não pegava taxi na rua, que ligava sempre pra pedir um, que tinha medo, que não confiava e pronto instalou-se na minha orelha uma pulga do tamanho de um dinossauro e acabei ficando com medo, eu ia pegar o taxi em um lugar deserto e sozinha.

Sai da estação e tinha um taxi parado no sinal, abri a porta, mas antes de entrar li o nome da cooperativa e o número. Dei boa noite, avisei pra onde eu iria e enviei uma mensagem pro maridão com o nome da cooperativa e o número. Lógico que o Mendel não entendeu nada e ficou preocupado. É que a pessoa aqui não disse mais nada, era que a nóia era tão grande que eu tava com medo de ficar explicando muito e acontecer alguma coisa e eu não conseguir enviar a mensagem. Enfim, o taxista era um velhinho fofo que foi conversando comigo sobre o abuso da violência policial e em menos de 10 minutos eu já estava em casa. Expliquei tudo pro Mendel e combinei que sempre que eu pegar taxi sozinha independente da hora eu vou enviar uma mensagem com o nome da cooperativa e o número. Pode não ser muita coisa, mas alguém vai saber o taxi que me levava.

Eu nunca tinha pensado nisso, não tinha medo e preocupação nenhuma. Sempre vou conversando com os motoristas e sempre me trataram bem, mas infelizmente o mundo tá cada vez mais louco e nós vamos ficando "loucos" com ele. Tudo bem de "médico e louco todo mundo tem um pouco". Eu sou normal.

Beijocas
 

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