Há sete anos eu enfrentava o medo e a incerteza. Minha mãe era submetida a um transplante renal e o doador era o meu pai. Vivi a experiência de ver meus pais serem levados juntos ao centro cirúrgico. Eles passaram por mim cada um deitado numa maca e eu só pude olhar. Não podia tocar e nem falar com eles. Meu coração ficou pequeno só de imaginar o que poderia acontecer com eles, ao mesmo tempo eu tinha a certeza que Deus escreve certo por linhas tortas e que se entre as pessoas que se ofereceram para doar o meu pai foi o único que poderia. Daria certo!
A expectativa era que em 15 dias minha mãe teria alta. Na verdade a coisa foi muito mais complicada. Por várias vezes ouvi dos médicos que o rim transplantado não funcionava e que estava sendo rejeitado. Ouvi inclusive o médico dizer que tinha jogado a toalha que já tinha marcado a cirurgia para retirar o enxerto, só faria um último exame para ter certeza que não havia fluxo sanguíneo no rim. Eu ia ao hospital todo dia levar água mineral e outras coisas que minha mãe precisava, no dia do tal exame eu cheguei e a enfermeira disse que ela estava fazendo o exame. Invadi o centro de imagens corri feito louca do segurança até que encontrei uma enfermeira que me conhecia e disse que eu podia ficar. Entrava e saia médico da sala e eu esperando do lado de fora. Até que saiu um médico novinho com cara de boa gente e resolvi me apresentar e perguntar sobre a minha mãe. Imediatamente ele abriu um sorriso e disse que tinha fluxo sanguíneo, que o rim não estava podre como outro médico havia dito e que em questão de tempo ele iria funcionar. Na mesma velocidade que entrei no centro de imagens eu saí em busca de sinal de celular. Liguei pro meu pai em prantos e mal conseguia falar. Ele começou a chorar do outro lado da linha imaginando o pior e quando finalmente consegui falar só falei "tem fluxo!" Foi uma das poucas vezes que ouvi meu pai chorar e ficamos alguns minutos assim cada um chorando na linha e desligamos sem dizer nem uma palavra. Pra mim esse foi o dia mais importante da minha vida.
Ao todo foram 3 meses de internação até que o rim funcionasse de forma satisfatória e minha mãe não precisasse mais da máquina de hemodiálise para viver. Agosto é o mês que minha mãe renasceu. Sou eternamente grata ao meu pai que doou um pedaço dele para que minha mamita linda tivesse uma melhor qualidade de vida, aos médicos, enfermeiras, equipe técnica do hospital dos Servidores do Estado, aos pacientes que ali estavam internados e que muito apoio davam à minha mãe e amigos que se dispunham a visitar e a doar sangue à ela durante esse período.
Foto tirada em um domingo de visita. Minha mãezinha é muito amada mesmo, isso é só uma parte das visitas, algumas já tinham ido embora.
Um ano depois do transplante fizemos uma festinha de criança para ela. Afinal ela completava um ano de vida nova. As fotos estão péssimas, mas são de grande importância pra mim.
Mamita linda, que você tenha muitos anos de vida e que cada vez mais você me ensine a superar as dificuldades. Você é sem sombra de dúvidas a pessoa mais forte que conheço. Te amo!