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Relato de parto - Parte I


Já o escrevi mentalmente várias vezes, mas nunca tenho tempo de escrevê-lo de fato. Vamos ver se agora vai.

Morena nasceu na madrugada de segunda pra terça, mas o relato começa bem antes. Na quinta eu fui encontrar com duas amigas no Jardim Botânico e como de costume ao passar por túneis eu ligo o cd pra continuar ouvindo música já que a rádio não pega. O cd que estava no carro era o da Ellen Oléria ganhadora do The voice Brasil, como gosto muito da voz dela continuei ouvindo o cd mesmo depois de sair do túnel. Quando estava chegando começou a tocar a música Anunciação, já tinha ouvido inúmeras vezes, só que dessa vez eu me arrepiei todinha e comecei a chorar de soluçar. Estacionei o carro, a música ainda tocava e eu chorava ainda mais. O segurança deve ter me achado louca, saí do carro ainda chorando e com a certeza de que ela estava chegando. Depois desse sinal me deu um siricutico e cismei que tudo tinha que ficar pronto até o início da semana seguinte.



No sábado pela manhã nós tínhamos encontro com a Kira, antes de sair de casa como de costume fui fazer um dos muitos xixis do dia, quando olhei o papel, lá estavam 2 micro gotas de sangue. Chamei o marido, mostrei a ele e tirei foto pra mostrar pra Kira. Chegando lá ela não demonstrou muita importância e passei o restante do dia sem sentir absolutamente nada, até que desencanei do sanguinho e esqueci, mas fiquei com a sensação de que tinha que aprontar tudo. Passei o domingo me sentindo mais molhada na perereca e não dei muita bola, já que na gravidez a gente se sente mais molhada na região mesmo. Na segunda de manhã comentei com uma amiga que pariu recentemente e ela disse que sentiu o mesmo pouco antes do baby dela nascer, mas que também não podia ser nada. Meu pai estava aqui em casa me ajudando a organizar as últimas coisas e eu e o Mendel estávamos felizes de tudo estar caminhando como a gente planejou e pediu pra nossa passarinha.

Passamos a gravidez toda pedindo pra ela nascer nos dias que o pai dela estivesse em casa. Mendel trabalha em outra cidade e demora cerca de sete horas de ônibus e a cidade não tem aeroporto. Conforme o fim da gravidez se aproximava a tensão nos dias que ele ia trabalhar aumentava infinitamente. Pedi a ela também que me deixasse trabalhar até as férias do meio do ano pra que eu pudesse deixar tudo organizado pro professor que fosse me substituir. Entrei de férias na semana anterior ao nascimento dela e o marido tinha conseguido as duas últimas semanas de julho de licença. A gente tinha tirado a segunda pra organizar tudo que faltava e ficar o resto do mês só esperando sossegados em casa. Ledo engano.

Meu pai saiu daqui de casa por volta de 12h, minha mãe chegou logo em seguida. Eu tinha combinado de almoçar com ela, fazer algumas coisas e depois deixá-la em casa. Saímos pra almoçar em um restaurante self service aqui perto de casa. Estava na fila de pesar a comida quando sentir uma coisa molhando minha calcinha. Pensei - eu não espirrei, pq fiz xixi?- Imediatamente depois desse pensamento me veio a cabeça que podia ser a bolsa rompendo. Corri pra mesa que o Mendel estava deixei o prato e fui ao banheiro, quando abaixei as calças saia como se fosse xixi um líquido transparente e sem cheiro (sim, eu coloquei a mão e cheirei. O relato tem uns trechos nojentinhos) fiz um bolo com o papel higiênico, coloquei na calcinha. Voltei pra mesa, minha mãe ainda fazia o prato dela, o Mendel já comia e falei com ele praticamente gargalhando que minha bolsa tinha estourado. Ele olhou pra mim com o garfo parado no ar e perguntou o que a gente faria. Respondi que a gente ia comer porque ia demorar pra caralho ainda e que não falaria nada pra minha mãe. A gente queria passar o trabalho de parto sozinhos.

Almoçamos como se nada estivesse acontecendo, depois do almoço o Mendel foi com minha mãe em uma loja e eu fui tomar a vacina que minha médica tinha pedido pra tomar antes do parto. Entrei na clínica de vacinação e liguei pra minha médica pra perguntar se poderia tomar a vacina com a bolsa rompida. Nesse momento as atendentes da clínica ficaram preocupadas comigo achando que a Morena ia nascer ali. Eu tentava acalmá-las e dizia que não estava sentindo nada que ia demorar que ficassem tranquilas.

Tomei a vacina e fomos levar minha mãe pra casa dela, agimos como se nada estivesse acontecendo. As 16h já no caminho de volta pra nossa casa comecei a sentir as primeiras contrações. Minha bolsa tinha rompido as 13:30, essas contrações eram bem fraquinhas e quase não davam pra serem sentidas. Chegamos em casa e fomos acabar de arrumar o que faltava, arrumamos o quarto dela, a nossa mala, as lembrancinhas, o prosecco e ainda tirei a última foto da gravidez, a foto do nono mês. Morena nasceu com 38 semanas e 5 dias.

 Foto tirada já em trabalho de parto.

Baixei um aplicativo pro Mendel poder cronometrar as contrações e ficamos sentados conversando com as luzes apagadas. Por volta das 18h as contrações estavam um pouco mais doloridas, mas nada que me fizesse mudar de posição ou que precisasse parar o que estava fazendo. As 19h bateu uma fome e pedimos uma pizza já que a coisa ia demorar e a gente achava que íamos entrar  madrugada a dentro. As 20h a pizza chegou e eu comia tendo contrações a cada 5 minutos. Nessa fase as dores já incomodavam e eu precisava ficar de pé e me curvar pra aliviar a dor. Durante todo o trabalho de parto era responsabilidade do Mendel manter a Kira informada, o único momento que falei com ela foi pra avisar que a bolsa tinha rompido ainda no restaurante. Depois disso, ela só ligava pro Mendel.

Próximo as 21h as contrações ficaram realmente fortes e o Mendel precisou começar a colocar compressas de água quente e eu entrava e saía do chuveiro. A água quente (bem quente, tipo pra virar canja) batendo na lombar alivia imensamente as dores. Nesse momento o Mendel e a Kira decidiram que era hora dela vir pra cá.  


12 comentários on "Relato de parto - Parte I"

Biessa on 23 de setembro de 2013 09:35 disse...

Aiiiim vocês sabem nos deixar curiosas hein! rs

Aguardando ansiosa eo resto do relato!

Waleska on 23 de setembro de 2013 10:43 disse...

Hauhau, to rindo aqui... Um colega do trabalho tá "grávido" e ele tá pesquisando ambulâncias pra levar a esposa pro hospital caso a bolsa estoure e ele esteja no trabalho, a "entendida" aqui já falou que demora que não precisa se desesperar e blá blá. Acho que vou mandar ele ler o seu blog, rsrs.

Mas vamos combinar, que acho que nem quando for a minha vez terei essa tranquilidade toda.... :)


E vê se não demora muito com a continuação do post.

Daienne Lima on 23 de setembro de 2013 10:48 disse...

Como estava ansiosa por esse relato!
Sabia que a Morena tinha vindo dessa forma tão linda e não iria perder isso por nada!

Bj

paty on 23 de setembro de 2013 11:22 disse...

Nossa.... queria ter essa calma toda kkkkk
eu ja teria corrido pro hospital na primeira dorzinha ...

bjusssss

Helen on 23 de setembro de 2013 11:29 disse...

Ai, acho que vou chorar com seus relatos...esse já me deixou emocionada! (mas posso falar que morri de rir com o "ué, nem espirrei mas fiz xixi?!" Esses dias eu estou assim...não posso espirrar nem rir com força que umas gotinhas escapam...ridículo kkkkk)

Mayra on 23 de setembro de 2013 16:59 disse...

Nunca tinha ouvido a música na voz dela, também gosto muito dessa música!! Eu não sabia de metade do seu dia! kkk

Andrea Lima de Oliveira on 24 de setembro de 2013 11:19 disse...

Meu Deus qta calma, eu fiquei aflita só de ler o relato,mais é demorado mesmo, o meu filho nasceu umas 13 horas após o rompimento da bolsa,sofri muito e ainda foi forceps, agora estou grávida ainda de 4 meses e tenho medo de sofrer tudo de novo. Vou tentar ter um pouquinho da sua calma. Parabéns

Flicka on 25 de setembro de 2013 04:03 disse...

Obaaaaa!! Sera que vc vai conseguir postar a segunda parte antes da criaturinha aqui nascer?! Acho que nao, mas ja amei essa primeira parte!!!!

Grazi on 25 de setembro de 2013 14:53 disse...

Aiiii quando estava ficando bom acabou o post! Ansiosa!!!!

Ps.:queria ter essa tranqüilidade o dia que for mãe :)

Nayra Garofle on 26 de setembro de 2013 14:38 disse...

Ai, Danee! Seu relato tá que nem quando a gente tá assistindo um filme muito bom e entra o comercial! rsrsrs

Ju on 26 de setembro de 2013 15:05 disse...

Não vou dizer que to curiosa pq já sei de quase tuuudo hehehe mas é mt bom reler e relembrar daquele dia!! Moreninha chegando!!! Quero ler as próximas partes =DDDD
beijo grande em vcs!

Silvia on 2 de outubro de 2013 22:01 disse...

Eu costumo brincar que eu nasci "grávida"pq choro sem motivo, faço muito mas muito xixi mesmo, tenho desejos (de ler o seu relato fiquei com desejo de pizza) e ainda tenho muito enjoo, entre outras coisas. E ontem por acaso eu estava "choramingando" com o Erick que qdo/se eu engravidasse se eu ia ter tempo de chegar no banheiro pq se eu já saio correndo apertada umas tantas vezes hoje em dia, imagina com um ser apertando a minha bexiga? Aí eu falei que ia ter que acabar usando fralda para resolver o problema! Então eu totalmente me identifiquei - mesmo sem nunca passar por uma gravidez - com o espirro! E algumas das infecções urinárias que tive são bem assim, se respirar mais fundo...

Não achei nojento você cheirar o líquido não, eu faria a mesma coisa! É curiosidade científica ora! Tipo tem algo que você desconhece ali e apesar de saber racionalmente o que é, acho que é natural você querer ter certeza que não é nada errado.

Calor é a única coisa que me salva das minhas cólicas menstruais. Viva a bolsa de calor que meus pais compraram em uma viagem que é elétrica e não precisa de água. Ainda regula a temperatura, é muito amor!

E vamos para a segunda parte da história!

Beijos!

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