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Pelo direito de escolha


Basicamente existem três tipos de partos no Brasil. O normal, a cesárea e o natural humanizado (para saber a diferença entre normal e natural humanizado, clique aqui)

No entanto infelizmente não basta a mulher ler se informar sobre esses ipos de partos, escolher o seu e ter o seu direito de escolha respeitado. Médicos que atendem pelo plano de saúde em sua maioria "empurram" um parto cesárea mesmo que esse não seja o desejo da grávida e nem tenha uma indicação real para essa via de parto. Lógico que os médicos tem suas reivindicações que acho válidas, mas o ônus dessas reivindicações não deveria NUNCA recair sobre a parturiente.

Na rede pública o parto normal é priorizado, parto este realizado com intervenções muitas vezes desnecessárias e danosas a mãe e ao bebê.

 Vem ganhando força no país o parto natural humanizado onde a mulher é protagonista do seu parto e possíveis intervenções são discutidas entre médico e parturiente. Seria lindo se todos tivessem acesso a esse método, que na maior parte das vezes é realizado de forma particular (paciente arcando com todos os custos). Poucas são as maternidades públicas no país que seguem essa linha.

Independente de qual seja a sua escolha de trazer seu bebezinho ao mundo, ela fica submetida a vontade do seu médico, as práticas exercidas pela rede onde será realizado o parto (público ou particular) ou a sua situação financeira. Se deseja ter um filho por uma cesárea quase que obrigatoriamente você tem que ter um plano de saúde. O que acontece com as mulheres que não podem arcar com os custos de um? Se quer ter um parto normal pelo plano de saúde tem que enfrentar os muitos "se" que os médicos impõem como barreira e se você deseja um parto natural humanizado precisa estar disposta  ou poder arcar com o alto custo.

Essa realidade muito me entristece. Independente da maneira como você quer trazer seu filho(a) ao mundo ela deveria ser respeitada e não vinculadas a amarras sociais.

Segue o vídeo para um documentário que fala sobre a violência obstétrica sofrida por muitas mulheres independente do tipo de parto e não necessariamente no momento do parto. Ele é forte, difícil de ver sem se emocionar, mas extremamente necessário. 




11 comentários on "Pelo direito de escolha"

Amanda Lima on 18 de fevereiro de 2013 12:30 disse...

Oi Danee, é a primeira vez que comento aqui, mas sempre to aqui lendo seus posts.. E isso que você falou é a mais triste e pura realidade! Eu quando estava grávida queria que fosse parto normal.. Tava tudo certo desde o começo, mas acabei perdendo com 18 semanas... Então depois disso decidi que não queria parto normal, peguei trauma da dor das contrações, sl'... Então decidi que o próximo virá através de cesárea! E como vc disse pra se ter uma cesárea é preciso ter plano de saúde! Infelizmente poucas gestantes tem a chance de escolher o tipo de parto! E ter um parto digno!!

Bjs

Musa Magalhães on 18 de fevereiro de 2013 14:03 disse...

Isso é mesmo muito triste aqui no Brasil. Pra você ter um parto normal tem de quase matar um e se quiser um normal após cesárea, aí não tem de ser um só, mas cometer uma chacina! rsrsrs.
Concordo que esse direito de escolha deveria ser da mulher, e somente dela. É um momento tão sublime que nada deveria ser impeditivo para a decisão. Enfim, tomara que as coisas mudem um dia. E que seja breve.

Beijos.

Helen on 18 de fevereiro de 2013 18:17 disse...

Concordo com tudo que vc disse, mas gostaria de adicionar uma coisinha só: é preciso informação!

Como sociedade, acho uma maldade e uma enorme falta de respeito contra a mulher não termos informação suficiente! Todo pré-natal deveria oferecer informação sobre as consequências de cada tipo de parto (os prós e os contras) para as gestantes, e isso, infelizmente, não acontece. Muitas mulheres acham que cesárea é a melhor coisa que há, pois não "sofrem," podem marcar na agenda, não "se rasgam," etc, mas todos estudos científicos e médicos mostram que, apesar da cesárea ser excelente, ela deveria ser somente utilizada para casos específicos, de gravidez de risco, pois, na média, o parto normal é o melhor indicado para o bebe e para a gestante (e que, apesar de doloroso, o pós-parto é muuuito mais tranquilo que cesárea, não há riscos em relação a anestesia, menos risco de infecção, etc...) Mas a impressão que tenho é que, no Brasil, o parto é visto quase como se fosse algo violento, e a cesárea é a grande invenção da medicina para amenizar a dor da mulher.

A Organização Mundial da Sáude indica que o "ideal" de cesáreas deve ser entre 11-15% dos nascimentos...no Brasil, já passamos dos 50% (e no setor privado, 80%). Os países com os menores índices de mortalidade infantil e mortalidade materna tb tem os maiores índices de partos humanizados (não sem nem "normais," mas humanizados MESMO, com direito a parteira, grande parte feitos em casas de parto, não em hospitais...) Isso porque, através do pré-natal, eles conseguem separar as gravidezes de risco (que são as 10-15% indicadas para cesárea e hospital...)

Infelizmente, na média, a mulher brasileira não tem acesso a essa informação. São muito poucas as mulheres que procuram se informar sobre o parto...e os médicos, ao invés de informarem, parecem "protegerem o próprio rabo" (ao invés de estarem interessados no bem estar da mãe e do bebe). Para conseguirmos voltar ao modelo aonde a mãe é que escolhe o próprio parto, precisamos dar informação (e tão importante quanto, informação "correta," não amedrontar a gestante.)

Outra coisa que me frustra muito é a questão financeira do parto...parto normal é caro para o médico, pois requer mais tempo, mas a remuneração é igual a cesárea, que é mais rápida. Óbvio que, dada essas circunstâncias, o médico preferirá a cesárea (falo isso sobre médicos, na média, pois é claro que existem médicos maravilhosos que nem a sua obstetra que não se deixam levar por essa relação). A obstetra/ginecologista com quem me consultava antes de vir morar nos EUA falava que só valia a pena, financeiramente, fazer parto normal através do particular, não através do plano de saúde, pois não era remunerada o suficiente (o que partia o meu coração...)
Enfim, acho que muita coisa precisa mudar em relação a política médica de partos no Brasil...As mulheres precisam de informação, o Ministério da Saúde deveria estar mais envolvido (principalmente levando em considerando as metas da OMS), os planos precisam valorizar mais o profissional médico (e isso independente de especialização, pois médico de plano de saúde receber R$40-60 por paciente é um absurdo! Não é a toa que vários estão deixando os planos e os que trabalham em plano, enchem seus consultórios que nem lata de sardinha...), e finalmente, o obstetra deveria se lembrar do porquê escolheu sua profissão, afinal, o bem estar materno e do recém nascido deveriam ser mais valorizados.

Biessa on 18 de fevereiro de 2013 18:44 disse...

O direito de escolha precisa ser nosso.
Ainda bem que vc encontrou uma medica legal e partilhou conosco, Danee! rs

Denise Eldochy on 18 de fevereiro de 2013 20:10 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Denise Eldochy on 18 de fevereiro de 2013 20:20 disse...

rmã, vc escolheu como título desse post a frase "Pelo direito de escolha" e concordo com suas colocações, mas as amarras que atam as mulheres são anteriores ao momento do parto. No Brasil as mulheres não tem direitos reprodutivos, elas tem obrigações. As escolas se sentem censuradas a ensinar as meninas e meninos sobre reprodução e sexualidade, a política de planejamento familiar é ridícula e mesmo a mulher com recursos, não pode se esterilizar mesmo que isto esteja garantido em lei, interrupção da gravidez é tratado como uma questão religiosa e não de saúde. A mulher TEM que produzir filhos (não vou utilizar a palavra mãe, pq ser mãe, pra mim, é uma questão de escolha - vide adoção - e muitas não a fizeram). E no fim, quando elas se tornam mães, algumas contra a vontade, ainda são tratadas com descaso e desrespeito. Todos são "donos" do seu útero,todos sabem como utilizá-lo menos a mulher que o carrega. Ser mulher não é fácil.

Danee on 18 de fevereiro de 2013 21:39 disse...

Sim, irmã, mas aqui eu estou tratando do parto e partindo do princípio daquelas que escolheram, sonharam ser mães. As escolas pecam e muito em várias escalas do ensino, inclusive no sexual. E sou a favor ao direito de escolhas daquelas que não querem ser mães. Eu escolhi ser e por isso só falei das várias barreiras que enfrentamos para ter o direito ao parto que queremos. bjs

Silvia on 19 de fevereiro de 2013 13:26 disse...

Nossa concordo muito com o que sua irmã escreveu! Sei que não é o assunto do post mas acho que a falta de informação vem desde cedo. Essa história de que sexo é vergonha, é pecado, que quem faz é vadia, faz com que muitas meninas comecem errado no que seria algo saudável e normal. Qdo vc não tem acesso a ginecos antes de ter uma vida sexual ativa, qdo vc só vai no médico pq está grávida, essa é a primeira forma de violência que as mulheres sofrem que as deixam de fora de todo o resto das escolhas feitas que chegam até a escolha do parto e de um médico com quem se possa ter uma relação de confiança.

Não vou entrar aqui no mérito da questão do aborto pq eu sou pró escolha tb e acho um absurdo as mulheres serem "obrigadas" a escolher parir sempre. Uma mulher que opta por não ter filho é vista como estranha e errada, inclusive pelas outras mulheres. Mas hoje uma mulher que escolhe fazer cesárea tb é mal vista por uma camada da sociedade que acredita que uma pessoa só é mãe se tem um filho pelo canal vaginal. Nem sempre a cesárea é escolhida por medo da dor, no meu caso eu acredito que esse método é o q é o q mais combina com as minhas "crenças" e sei q tb existem cesáreas "humanizadas" onde o conforto de mãe e bebê não são prejudicados. Assim como mulheres que optam por partos vaginais humanizados tb são vistas como hippies, malucas ou inconsequentes - isso pq muitas são extremamente radicais na escolha de palavras e parecem que vão ter o parto daquele jeito não importando as consequências para o bebê (coisa que eu sei que não é o que você propõe aqui).

Acho que o direito da escolha é fundamental e que a educação e informação deveriam ser deveres do Estado para com as mulheres, mas enquanto as mulheres não se unirem e deixarem os preconceitos de lado, vai ser muito mais complicado de "lutarmos" pelos nossos direitos!

Beijos em vocês!

Mendel Cesar on 20 de fevereiro de 2013 14:52 disse...

Vida, que belo texto. Sem combater a mercantilização da vida, sem emponderar a mulher e sem clarificar os debates fica tudo mais difícil. Oxalá nosso(a) filho(a) possa participar de um mundo melhor. Te amo.

Flicka on 21 de fevereiro de 2013 05:03 disse...

Eu fico muito triste com isso tb... E sabe que a mulher de um amigo meu que é toda natureba, quis ter o filho numa maternidade publica por causa disso?! A droga é que quando ela foi pro hospital que ela queria, tava lotado e daí doi parar acho que em Bangu ou Campo Grande que era onde tinha vaga... Ela sofreu pra achar pq ela estava em trabalho de parto e teve que ficar catando um lugar.. Quase que ela sai nas reportagens de "mulher tem filho em taxi".. Mas deu tudo certo e ela conseguiu o parto normal dela. ;)

Ju on 25 de fevereiro de 2013 20:00 disse...

Vou seguir o seu conselho e não assistir o vídeo. Realmente é muito triste essa realidade brasileira. Na qual a mulher deixa de ser protagonista do seu parto/ do seu destino e deixa na mão de um terceiro decidir o que vai acontecer com ela.
A realidade ainda vai demorar mudar, acho que o mais importante é disseminarmos a informação, aos poucos vamos conscientizar mais pessoas e assim as pessoas vão lutar pelos seus direitos.
Mudanças culturais são lentas e gradativas =/
beijos ju

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